Programação CINANIMA 2025 revela novidades
O CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho apresentou, esta quinta-feira, pelas 17h, os principais eixos e destaques da sua 49.a edição, que vai decorrer de 7 a 16 de novembro de 2025. A sessão, que aconteceu na Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva, foi conduzida pela equipa central do CINANIMA e marcou o arranque de um ciclo que antecipa já as comemorações do cinquentenário a celebrar em 2026.
Destaques da edição (exclusivos de 2025)
- António Gaio . 100 anos
Em 2025, o CINANIMA será palco de uma homenagem especial a António Gaio, um dos seus fundadores, no ano em que se assinala o centenário do seu nascimento. Este projeto contará com vários momentos: uma exposição de fotografia, na Galeria do Centro Multimeios de Espinho; um video maping, na Sala António Gaio e uma tela de grande formato, na Vila Manuela. Esta é uma iniciativa conjunta da Cooperativa Nascente com a Câmara Municipal de Espinho e a ESMAD – Escola Superior de Media Artes e Design | IPP, com curadoria e design expositivo de Olívia Marques da Silva. - 360o Cinema Imersivo
- “Lendas Maori da Nova Zelândia” e o concerto imersivo “The Dark Side of the Moon – Pink Floyd NSC”, no Planetário do Centro Multimeios de Espinho.
- Homenagem a Vasco Granja
Sessão “100 Anos de Vasco Granja, O Homem Que Nos Fez Sonhar”, em homenagem ao Vasco Granja, figura incontornável da divulgação do cinema deanimação em Portugal, no ano do seu centenário, com curadoria de Ricardo Blanco. - Solidariedade com a Palestina
Sessão de cinema “Palestina: Entre Céu e Terra” com filmes de crianças, mulheres e autores internacionais, em homenagem ao povo palestiniano.
Novidades estruturais (para permanecer):
- Prémios monetários atribuídos nas competições;
- Nova Competição Internacional All Aboard: Competição dedicada a novas linguagens e encontros entre estilos e gerações.
CINANIMA 2025 – “Memória: o Futuro do Passado”
Nesta edição, o CINANIMA propõe uma reflexão alargada sobre a memória como matéria-prima do futuro. “O que é o futuro que o passado antecipa? Que questões levanta?” — perguntas que orientam um programa que confronta a preservação e a reinterpretação do património, cruza técnicas analógicas e processos digitais, e convida cineastas a revisitar arquivos, diários visuais, rituais e mitologias para (re)imaginar o amanhã. Esta linha curatorial ganha significado no ano que antecede o 50.o aniversário do festival, desafiando autores e público a olhar adiante, sem perder o lastro histórico que fundou o CINANIMA.
Seguindo a tradição destes últimos anos e numa procura de dar voz aos mais novos, o festival convidou o Curso de Design de Animação da Escola Superior de Tecnologia, Gestão e Design do Politécnico de Portalegre a criar o genérico oficial da 49.a edição, uma peça que traduz em imagens em movimento o espírito do CINANIMA e da cidade que o acolhe.
Este ano, o CINANIMA recebeu 2 231 submissões de filmes de 148 países, tendo sido selecionados 110 para as competições oficiais. Durante o festival, vão ser exibidas mais de 430 obras de 50 países diferentes.
Sessões Competitivas
A programação competitiva reparte-se por:
- Competição Internacional Curtas-Metragens, 5 sessões, 30 filmes
- Competição Internacional Longas-Metragens, 5 sessões, 5 filmes
- Competição Internacional Obras de Estudantes, 3 sessões, 23 filmes
- Competição Internacional All Aboard, 3 sessões, 16 filmes
- Competição Nacional Prémio António Gaio, 1 sessão, 8 filmes
- Prémio Jovem Cineasta Português (até aos 18 anos de idade), 1 sessão, 12 filmes
- Prémio Jovem Cineasta Português (com mais de 18 até aos 30 anos de idade), 1 sessão, 16 filmes
Sessões Não Competitivas
- Retrospetivas, 16 sessões, 132 filmes
- Sessões Especiais, 7 sessões, 18 filmes
- Sessões Família, 7 sessões, 41 filmes
- Grande Panorama Internacional – Escolas, 55 filmes
Entre as retrospetivas, o público poderá revisitar os filmes premiados em 2024, descobrir o trabalho de escolas europeias convidadas —a The Polish National Film, Television and Theatre School de Lodz (From Lodz to the World) e a École Émile Cohl (Comedy & Jovens) —, bem como assistir ao programa especial “O Belo Mistério da Origem das Memórias”, concebido por Malcolm Turner, cofundador e diretor do Melbourne International Animation Festival. Vão ainda realizar-se duas sessões intituladas “Entre Olhares. O Júri”, que completam este ciclo, dando a conhecer a perspetiva e os critérios artísticos dos jurados da edição.
Nas sessões especiais, o festival exibirá a longa-metragem Living Large (“Viver em Grande”), o programa “100 Anos de Vasco Granja, O Homem Que nos Fez Sonhar” (curadoria de Ricardo Blanco) e o já referido 360o Cinema Imersivo, com “Lendas Maori da Nova Zelândia” e o espetáculo “The Dark Side of the Moon – Pink Floyd NSC”.
Um dos momentos mais simbólicos será a sessão “Palestina: Entre Céu e Terra”, com pequenos filmes que incluem obras criadas por crianças e mulheres em Gaza, bem como curtas de autores internacionais reunidos num esforço coletivo de solidariedade, afirmando o papel da animação enquanto voz de resistência, de empatia e de humanidade.
Já as Sessões Família incluem dois programas curados pelo CINANIMA (“Pequenas Aventuras e A Brincar com Histórias”), dois pela Casa da Animação (“Mini Micro e um programa infantil”), um pelo BUFF Malmö Film Festival da Suécia (“Entre Mundos e Amigos”) e um pelo Luxembourg City Film Festival (“Quem Nunca Teve Medo?”). A programação familiar encerra com a longa-metragem “Kayara – A
Menina Inca”, uma aventura épica que transporta o público jovem ao imaginário da civilização Inca.
À programação das Retrospetivas, vão juntar-se mais duas sessões – FAN Young European Talents e FAN Masters, no âmbito da FAN – Festivals Animation Network, uma rede de festivais de animação europeia, sob a coordenação do CINANIMA.
Educação e Impacto Social
A dimensão social e educativa do festival continua a ser um eixo central. Em 2024, o programa “CINANIMA vai às Escolas” envolveu mais de 102 mil alunos em 5 557 sessões, de norte a sul de Portugal, Açores, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Suíça e Bélgica, com sete programas distintos ajustados a diferentes faixas etárias.
Em 2025, a experiência terá continuidade, incluindo a deslocação de turmas ao festival entre 7 e 21 de novembro, e chegará também a novas geografias e comunidades.
“As Escolas Vêm ao CINANIMA” é já uma tradição no FACE, em Espinho, há muitos anos. Desde 2024 que o festival trabalha para alargar este programa e, em 2025, dará um passo decisivo: levar a experiência a ainda mais crianças de concelhos vizinhos, como Ovar, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira, Gondomar e Paços de Brandão.
Este ano, ganham também relevo as “Oficinas Anilupa: Feira do Brinquedo Ótico”, uma exposição interativa e formativa inspirada nos primórdios do cinema.
O público poderá explorar réplicas de aparelhos óticos do século XIX e outros dispositivos que recriam fenómenos visuais e ilusões óticas. A iniciativa inclui ainda peças originais e objetos criados em colaboração com instituições sociais de Espinho e do Porto.
A Oficina Artística em Animação regressa com novidades e será organizada em três fases. Em setembro, os professores participaram numa Ação de Curta Duração acreditada, criada para lhes dar ferramentas e preparar o acompanhamento das turmas. Em outubro, começa o trabalho dentro da sala de aula, acompanhado pelos professores dos agrupamentos participantes e formadores especializados, onde os alunos vão dar forma às suas ideias, criar cenários, personagens e a experimentar técnicas de animação. Por último, de 7 a 12 de novembro, todos se vão reunir, em Espinho, para Residências Artísticas, organizadas em três grupos e cada turma passará dois dias a aprimorar o trabalho, assistir a sessões do festival e a conviver. O resultado será um filme coletivo, de cerca de dez minutos, composto por pequenas animações de
aproximadamente um minuto, concebidas por cada escola, a ser exibido na sessão de encerramento do festival.
Acessibilidade e Inclusão
A acessibilidade e a inclusão reforçam-se como compromissos inadiáveis. A programação anual integra um seminário sobre ofertas culturais acessíveis, uma sessão com audiodescrição, exibições em bairros sociais, através da iniciativa Anima Vam, e mostras dirigidas a universidades séniores e centros de dia, numa estratégia clara de alargar horizontes e públicos.
Formação e Pensamento Crítico
No campo da formação e do pensamento crítico, o CINANIMA volta a reunir figuras de referência internacional em masterclasses e
debates. Autores como Luca Tóth, Georges Sifianos, Kajsa Naess, Lucija Mrzljak, Steve Woods, Kaspar Jancis, Niccolò Gioia e Adriana
Andrade vão partilhar processos criativos e metodologias de trabalho.
Ao lado destas iniciativas regressa a Masterclass Online do Plano Nacional de Cinema, a apresentação de novos projetos de animação em Projetos.PT, a 5.a edição do Simpósio “Olhares sobre a Animação Portuguesa”.
As First Pitching Sessions, criadas em colaboração com o Piquenique na Lua, abrem também espaço à nova geração de talentos na animação. Este momento do festival vai oferecer uma oportunidade única para apresentar projetos em desenvolvimento a um painel de profissionais da indústria, bem como a jovens criadores à procura de colaborações.
Espaços e Parceiros
O festival ocupará, em 2025, diversos espaços da cidade de Espinho, como já é habitual, sublinhando o seu papel de dinamizador cultural urbano. Para além do Centro Multimeios de Espinho, o FACE – Fórum de Arte e Cultura de Espinho, a Sala Progresso, a Junta de Freguesia de Espinho, a Piscina Solário Atlântico e o Doo Boop vão acolher exibições, debates e apresentações, oficinas e encontros.
O CINANIMA conta com o apoio valioso de patrocinadores de longa data – a Solverde e a Aipal; às quais se juntam os seguintes parceiros: a ESMAD (Escola Superior de Media Artes e Design), a Viarco e o Coletivo Salitre.
O CINANIMA 2025 olha para o futuro sem esquecer o arquivo que o trouxe até aqui. “Memória: o Futuro do Passado” é o convite a criadores e públicos para reescreverem, juntos, as imagens do festival para os próximos 50 anos.